Aristóteles

Maior discípulo e antagonista de Platão. Nasceu em 384/383 A.C. em Estagira na fronteira da Macedônia. Seu pai (Nicômaco) era médico e serviu ao rei Amintas. Aos dezoito anos foi para Atenas, e ingressou na Academia de Platão. Quarenta anos mais jovem do que Platão, permaneceu com o mestre até sua morte, quando resolveu deixar a Academia indo para a Asia Menor. Em 343/342 A.C. o rei Filipe da Macedônia chama-o para pertencer à Corte, sendo lhe designado a educação de seu filho Alexandre.

Em 335/334 A.C. retorna a Atenas, montando sua escola – o Liceu – designado assim por estar localizado próximo ao templo dedicado a Apolo Lício. Era comum ele ministrar seus ensinamentos andando pelos jardins anexos ao prédio, tendo por este motivo seus seguidores chamados de “peripatéticos” (aqueles que passeiam, pois passeio em grego é “Perípatos”).

Podemos organizar suas obras nos seguintes grupos:

I – escritos sobre a Lógica: foram reunidos sob o nome de Organon, isto é, Instrumento.
II – escritos sobre a ciência da natureza: Física (8 livros), sobre o céu, sobre a geração e a corrupção, meteorológicos. Vários escritos sobre a alma (também sobre a memória e os sonhos), história dos animais, das partes dos animais, do movimento dos animais, e de sua origem.
III – escritos sobre a Metafísica: trata das causas gerais das coisas, daquilo que “vai além da natureza física”, do ser.
IV – escritos sobre a Ética: Ética a Nicômaco (seu filho).
V – escritos sobre a política.
VI – escritos sobre a Literatura e Retórica: trata da arte do discurso e da arte da poesia.

Transcrevendo o texto de Hans Joachim Storig, “Existe uma profunda diferença entre o espírito sóbrio de Aristóteles, que procura reunir e catalogar tudo quanto existe, e que vai em busca da argumentação lógica rigorosa, e a fantasia de Platão, voltada para o belo e o ideal. A mesma diferença transparece na comparação entre as obras de vida de um e de outro. Aristóteles é em primeira linha um cientista. Mas um cientista no sentido amplo: seu impulso de pesquisa está voltado para todos os terrenos do conhecimento científico, e além de colecionar e descrever os fatos, ele vê também a coroa do conhecimento filosófico, que ordena tudo quanto existe de acordo com princípios unificados. Sua obra é uma conquista espiritual do mundo, não menos grandiosa, à sua maneira, e para a história da humanidade tão rica de consequências quanto as vitórias de seu discípulo, o conquistador Alexandre. Com Aristóteles, começa a “cientificização” do mundo, que em nossos dias chegou a atingir proporções assustadoras.”

Bibliografia de referência:
STORIG, Hans Joachim – História Geral da Filosofia – Editora Vozes – 2008
REALE, Giovanni – ANTISERI, Dario – História da Filosofia – Volume 1 – Editora Paulus – 1990