Descartes

René Descartes, francês, de família nobre, nascido em 1596 em La Haye (Touraine), teve sua formação em um colégio Jesuíta em La Flèche, onde se manifestou sua predileção pela matemática e pelo ceticismo. Foi militar atuando na Guerra dos Trinta Anos, viajando a vários países europeus, ficando na Holanda durante seu período mais ativo intelectualmente, e mudando-se ao final da vida para a Suécia a convite da Rainha Cristina, onde morreu em 1650.

Racionalista, e ciente que as aparências podem nos enganar (por isso o duvidar de tudo), visa estabelecer uma lógica rígida no processo filosófico, um processo quase que matemático, a que chama de método.

Seu método consiste em quatro regras através das quais ele vai buscar a verdade:

A evidência – somente considera como verdadeiro aquilo que se apresenta de forma clara e distinta ao espírito.

A análise – para a busca do entendimento, deve-se dividir a questão em partes, tantas quantas forem necessárias, para que o desenvolvimento do pensamento e da solução do problema venha a ser o mais claro e certo possível.

Síntese – deve-se conduzir o pensamento a partir das questões e raciocínios mais simples para os mais complexos, de forma a explicitar aquilo que é evidente.

Enumeração ou revisão – deve-se enumerar e “documentar” todo o processo, de modo a se assegurar de que tudo foi verificado, não ficando nada de fora na construção do nosso pensamento.

Para ter certeza de que através do método se chegou a conclusão correta, deve-se utilizar a intuição e a dedução.
Descartes parte toda sua análise através da Doutrina da Dúvida. Ele rejeita todo o conhecimento prévio, e rejeita todo o conhecimento adquirido pelos sentidos (experimentação e vivência), uma vez que este pode induzir ao erro. Assim, ele reconhece a razão como única base sólida, para o desenvolvimento do pensamento e para a busca da verdade.

E nesse processo de questionamento constante, e de divisão dos conceitos e dos problemas apresentados, que ele chega a sua primeira verdade – o Cogito. Por duvidar de tudo, e em função de sua dúvida ser o motor primeiro do seu pensamento, ele chega a certeza de sua existência. Se duvido (cogito), e se penso, eu existo!!!

É esta conclusão que leva a aceitação da existência de verdades inatas: Eu sou – eu existo; Eu sou um ser pensante; As coisas do espírito são mais fáceis de conhecer.

Sua segunda conclusão e base para seu pensamento, é a existência de Deus, como ser perfeito, comprovada pelos seguintes pensamentos e raciocínios:

– essa ideia perfeita, inteligente, potente não pode ter sido criada pelo cogito.
– não há duvida de que estas categorias são próprias de Deus.
– ideias perfeitas não podem ser criadas por criaturas imperfeitas.
– a ideia de Deus que o cogito tem só pode ser efeito de uma causa que lhe é exterior, mas que traz em si todas aquelas categorias.

– como nos ensina a lógica, deve existir no efeito tanta verdade e realidade quanto na causa. A existência da ideia de Deus no cogito só pode ser correspondente à existência de fato de Deus.

– Esta ideia não é res extensa (coisa extensa), não é res cogitans (coisa pensante), mas é res infinita (coisa infinita), eterna e divina”. (Claretiano, 2011)

Não há duvida, portanto que Descartes é racionalista, acreditando em ideias inatas e partindo sempre da razão para a construção do seu entendimento de verdade.

Interessante, mas esperado, é que apesar de Descartes ser radical quanto a busca do conhecimento da verdade, destruindo todos os conceitos anteriores, e buscando os seus próprios através do seu método, ele estabelece uma moral provisória, como base para o relacionamento dos homens na sociedade, bastante conservadora.

Enquanto a dúvida é o motor da busca do saber científico, ela não é aceitável no campo da moral. Sua primeira regra moral é justamente de renúncia a crítica quanto a política, moral, e religião, de forma a não contestar, mas sim respeitar e reforçar a tradição vigente. Sua segunda regra moral é a de ser o mais firme e resoluto possível nas ações, buscando uma coerência em tudo o que se faz. E a terceira, o autodomínio, a contenção dos desejos e a resignação.

Temos ainda uma quarta regra moral, que justifica as três anteriores: a busca da verdade através do esforço constante da utilização de seu método. Para ele, a razão deve orientar a vontade livre, submetendo as paixões, e buscando o equilíbrio, o meio termo como forma de convívio humano – a moderação (Aristóteles).

São suas principais obras:

- O Discurso do Método (1637) 
- Meditações Metafísicas (1641) 
- Princípios de Filosofia (1644)
Bibliografia de referência:
STORIG, Hans Joachim – História Geral da Filosofia – Editora Vozes – 2008
REALE, Giovanni – ANTISERI, Dario – História da Filosofia – Volume 2 – Editora Paulus – 1990
Claretiano – 2011 - Caderno de Referência de Conteúdo da Disciplina História da Filosofia Moderna II do curso de Licenciatura em Filosofia do EAD do Centro Universitário Claretiano – 2011.