Helenísticos

Com a ascensão de Alexandre Magno (334-323 A.C.) ao poder, sua expedição ao Oriente, e por consequência a conquista de terras, constituindo um gigantesco império, houve uma revolução política, espiritual e cultural no mundo Grego. A idéia vigente de “Pólis” foi substituída por uma concepção Cosmopolita, abrangendo agora diversos povos antes considerados bárbaros pelos Gregos. O pensamento grego se alterou, mas não deixou de influenciar todos os povos conquistados. A esse período, chamamos de Helenísticos, impactando também o pensamento filosófico. O centro cultural passou de Atenas para Alexandria, perdendo influência o Platonismo e o Aristotelismo.

Cinismo – O fundador desta doutrina foi Antístenes, porém o principal divulgador foi Diógenes de Sinope, tendo sido conterrâneo de Alexandre, o grande. A concepção era de que o homem deveria se ater às suas necessidades essenciais, quase se equiparando a um animal. Assim, os conceitos da matemática, da física, da astronomia, da música, das construções metafísicas eram completamente inúteis ao homem, e este deveria viver sem metas, no conceito aceito pela sociedade. O importante era a liberdade, e para alcança-la, tudo deveria ser considerado supérfluo, devendo o homem bastar-se a si mesmo. Ele denuncia a busca do prazer, o amor à riqueza, a sede de poder, e o desejo de fama, brilho e sucesso.

Epicurismo – escola que vem do pensador Epicuro – nascido em Samos em 341 A.C. – se reunia e ensina num jardim nos subúrbios de Athenas. Chamados por “filósofos do jardim (Képos)”. Suas proposições podem ser assim resumidas: 1. A realidade é perfeitamente penetrável e cognoscível pela inteligência do homem; 2. Nas dimensões do real existe espaço para a felicidade do homem; 3. A felicidade é falta de dor e perturbação; 4. Para atingir essa felicidade e essa paz, o homem só precisa de si mesmo; 5. Não lhe servem absolutamente a cidade, as instituições, a nobreza, as riquezas, todas as coisas e nem mesmo os deuses: o homem é perfeitamente “autárquico”. (Reale & Antiseri).

Estóicos – o fundador desta escola foi Zenão, nascido em Cítio (Chipre) por volta de 333/332 A.C.. Transferiu-se para Athenas atraído pela filosofia, e por não ser grego, não tinha direito a adquirir uma propriedade. Dessa forma, se reunia e ensinava num Pórtico da cidade (a palavra pórtico em grego é Stoá, sendo por este motivo chamados de estoicos, ou seja, aqueles do portão, do pórtico). Foi uma escola de pensamento que ao longo do tempo sofreu evoluções. Apesar de conceber a filosofia como a “arte de viver” assim como Epicuro, era porém seu grande opositor, por não concordar com a redução do mundo e do homem a um agrupamento de átomos, e por não identificar o bem do homem com o prazer. Em seus pensamentos a prudência e a moderação eram essenciais para a vida, mais até do que o conhecimento.

Ceticismo – movimento de pensamento iniciado por Pirro de Élis (nasceu em Élida entre 365 e 360 A.C., falecendo entre 275 a 270 A.C.), tinha como convicção de que é “possível viver “com arte”, uma vida feliz, ainda que sem a verdade e sem os valores, pelo menos como eles haviam sido concebidos e venerados no passado.” (Reale & Antiseri). Em síntese os pensadores deste movimento, duvidavam que é possível conhecer e atingir o verdadeiro conhecimento.

Ecletismo – tendência que surge a partir do século II A.C., visa reunir e fundir o melhor das várias escolas de pensamento. O termo deriva do grego ek-léghein, que significa, “escolher e reunir, tomando de várias partes. Um nome importante que podemos citar é o romano Marco Túlio Cícero (106 a 43 A.C). Outro nome, é o judeu alexandrino Fílon (25 A.C. – 50 d.c), que inclui algumas ideias religiosas, tentando de alguma forma harmonizar com a filosofia grega.

Bibliografia de referência:
STORIG, Hans Joachim – História Geral da Filosofia – Editora Vozes – 2008
REALE, Giovanni – ANTISERI, Dario – História da Filosofia – Volume 1 – Editora Paulus – 1990