Iluminismo

Podemos dizer que o Iluminismo é um movimento filosófico, pedagógico e político que se iniciou no final do século XVII e parte do século XVIII, originalmente de caráter europeu, mas que ganhou contornos internacionais, influenciando a vida cultural, social e política de todos os países do globo terrestre, tendo como pedra fundamental a crença na Razão Humana.

Rompendo com as amarras intelectuais que ligavam todo o pensamento e a estrutura social à Igreja e a dogmas religiosos, este movimento visa a libertação do homem destes conceitos, colocando o Homem como centro da cultura e do pensamento, impactando dessa forma e transformando as relações políticas e religiosas. Baseado no conhecimento científico e técnico (as pesquisas e descobrimentos científicos alcançados à época estavam transformando o modo de pensar e alterando o modo de viver da sociedade), entende que o Saber é um direito natural do indivíduo. É este saber racional e crítico que será a base de um novo pensar.

Dentro desta ótica, não existem mais “Verdades Eternas”, nem “Essências”; a razão é crítica, mas empírica, partindo das experiências para um processo indutivo que define uma nova “verdade – esta, temporal e superável”. A filosofia não pode mais ser vista como uma ciência isolada, sendo assim parte integrante dos demais saberes.

Apesar de se tratar de um movimento leigo, e podemos até dizer, anticlerical; não se trata porém de um movimento ateísta. Tentando desvincular os dogmas, mitos e superstições religiosas, ele se transforma num movimento “Deísta”, admitindo a existência de Deus. Houve movimentos iluministas ateus e materialistas, mas estes foram minoria no contexto global.

Foi a partir deste movimento, que tivemos a definição de um direito natural, como um direito racional, determinando assim os direitos inatos e invioláveis dos homens, tais como liberdade, igualdade, direito a propriedade, a segurança e de resistência à opressão. Foi a semente e base do expresso nas Declarações dos Direitos Americana (1776); Francesa (1789) e na constituição dos Estados Democráticos Ocidentais.

Quanto ao seu impacto popular e formas de propagação dos pensamentos, me permito aqui, transcrever as palavras de Reale & Antiseri:

“Em linha geral, as classes populares permaneceram estranhas ao movimento iluminista, enquanto os iluministas conseguiram difundir as novas ideias nas classes intelectuais e entre a burguesia avançada de toda a Europa. Os Philosophes se consideraram mestres da sabedoria, conselheiros dos monarcas, guias naturais da classe média emergente, e empenharam-se, na divulgação das próprias opiniões, para torna-las eficazes.

Os meios usados para acelerar a circulação das ideias iluministas foram:

a) As Academias, em que se conseguiu dar maior espaço às ciências naturais, físicas e matemáticas, à crítica da cultura de dos costumes;
b) A Maçonaria, que surgindo em Londres em 1717, logo se tornou moda na Europa com acentos anticlericais e antidogmáticos;
c) Os Salões, principalmente os parisienses, que permitiam às mulheres inserir-se vivamente na cultura do século;
d) A Enciclopédia francesa, que teve estrepitoso sucesso editorial;
e) O intercâmbio epistolar, muito intenso, principalmente para além dos confins nacionais;
f) Os ensaios, isto é, escritos breves, densos, em geral vivazes e argutos, propositalmente polêmicos;
g) Os jornais e os periódicos, cunhados à moda dos ensaios e prodigiosamente multiplicados nos últimos dois decênios do século.”

Também chamado do movimento das Luzes, porque tinha como objetivo Iluminar aos Homens, focava como ponto importante a educação. Sua origem, seu meio e seu objetivo era o Homem – detentor e produtor de todo o conhecimento.

Bibliografia de referência:
STORIG, Hans Joachim – História Geral da Filosofia – Editora Vozes – 2008
REALE, Giovanni – ANTISERI, Dario – História da Filosofia – Volume 2 – Editora Paulus – 1990