Locke

John Locke nasceu em Wrington, perto de Bristol (Inglaterra) em 1632. Estudo na universidade de Oxford, onde posteriormente lecionou grego e retórica. Participou ativamente na política, tendo sido secretário de Lord Ashley Cooper (chanceler da Inglaterra), sendo obrigado a exilar-se na Holanda entre 1683 e 1689 por perseguições políticas, retornando a Inglaterra quando da subida ao trono de Guilherme de Orange. Faleceu em 1704.

Suas principais obras foram: Epístola sobre a Tolerância; Ensaio sobre o Intelecto Humano; Dois Tratados sobre o Governo; e A Racionalidade do Cristianismo.

Principal expoente do liberalismo político, Locke não reconhece a existência de ideias inatas, nem de poder inato. Entendendo que as ideias (conhecimento) ocorrem devido aos nossos sentidos (sensações) e por meio da reflexão, as divide entre ideias simples, – que ocorre em nossa mente em função da qualidade do objeto observado, possuindo caráter objetivo – ; e ideias complexas, – formadas pelo nosso intelecto, possuindo caráter prático e não objetivo.

Divide as qualidades do objeto entre primárias, estas objetivas como solidez, repouso e número; e secundárias, estas subjetivas e relativas, como som, sabor, odor, etc.

Esta concepção de “vazio” da mente humana, que se preenche com a experiência e vivência do indivíduo, fica claro em sua famosa afirmação de que a alma é como uma tábula rasa – “Suponhamos portanto que o espirito seja, por assim dizer, uma folha em branco, privada de qualquer escrita e sem nenhuma ideia. De que modo virá a ser preenchida? De onde provem aquele vasto deposito que a industriosa e ilimitada fantasia do homem traçou-lhe com variedade quase infinita? De onde procede todo o material da razão e do conhecimento? Respondo com uma só palavra – EXPERIÊNCIA. É nela que nosso conhecimento se baseia e é dela, que em última análise, deriva.”

Analisando as concepções morais e políticas do pensamento de Locke, Reale & Antiseri afirmam que na base de seu pensamento, o princípio segundo o qual aquilo que impede o homem a agir é em geral o mal estar de seu espírito por causa da necessidade de um bem ausente: quando e se tal bem é alcançado, o mal estar se transforma então em alívio. A liberdade está portanto não NO QUERER, e sim NO PODER DE AGIR E DE ABSTER-SE DA AÇÃO. A ética Lockiana se configura como utilitarista e eudemonista – o bem e o mal morais não são mais que prazer ou dor, ou aquilo que propicia a nós prazer ou dor -, e todavia, em sua base existe a Lei Divina Revelada, que a própria razão humana pode descobrir. No plano político, Locke teorizou o constitucionalismo liberal, a sociedade e o Estado nascem do direito natural, que é racional, e o governo tem, sim, o poder legislativo e executivo, mas continua sempre sujeito ao juízo do povo. Ao contrário do pensamento de Hobbes, entende que o Estado não deve intervir nas questões religiosas: a fé não pode ser imposta, e é preciso portanto, ter tolerância para com as diversas fés religiosas.

Bibliografia de referência:
STORIG, Hans Joachim – História Geral da Filosofia – Editora Vozes – 2008
REALE, Giovanni – ANTISERI, Dario – História da Filosofia – Volume 2 – Editora Paulus – 1990