Nietzsche

Friedrich Nietzsche, (1844-1900) nascido na Prússia na cidade de Rocken, seu pai, um pastor protestante, morre quando ele tinha cinco anos, passando a viver num ambiente feminino. Como estudante se apaixona pela antiguidade Grega, estudando filologia clássica em Bonn e Leipzig. Se depara com a filosofia de Schopenhauer, podendo ser considerado como sendo seu mais importante discípulo. Conhece Wagner se interessando por sua obra artística.

Durante a guerra de 1870, atuou como enfermeiro, tendo contraído uma forte disenteria que afetaria sua saúde pelo resto da vida. Foi crítico quanto ao crescente poder político da Alemanha. O rompimento com Wagner, por julgá-lo submisso aos ideais cristãos, marca uma segunda fase de sua carreira produtiva, quando rompe com seus mestres, e se torna crítico à arte e a metafísica.

Em 1876 ocorre seu primeiro colapso físico, obrigando-o a se afastar de suas atividades, tendo que posteriormente requerer sua aposentadoria. Com uma debilitação progressiva, suas forças mentais e físicas vão se exaurindo, ficando quase cego em 1889. Passa a viver sobre os cuidados de sua mãe e depois de sua irmã, vivendo por 12 anos em quase total apatia, até a sua morte.

Conforme Reale & Antiseri, “o afastamento de seus dois “mestres” (Schopenhauer e Wagner) comporta o afastamento de Nietzsche em relação ao idealismo (que cria um antimundo), ao positivismo (com sua louca pretensão de dominar a vida com pobres redes teóricas), aos redentores socialistas e ao evolucionismo (mais afirmado que provado). O desmascaramento porém não termina aqui. É justamente em nome do instinto dionisíaco, em nome do homem grego sadio do século VI a.c. que “ama a vida”, Nietzsche anuncia a “morte de Deus” e desfere um ataque decisivo contra o cristianismo.”

Continuando em seus comentários, “Com a morte de Deus e o desmascaramento da metafísica e dos valores que até agora nos sustentavam, o que nos resta é nada: nós nos precipitamos no abismo do nada. Em tudo o que acontece não há um sentido, não existem totalidades racionais que se mantenham em pé, nem existem fins consistentes. Caem as mentiras de vários milênios e o homem permanece sozinho e espantado. Permanece num mundo dominado pela vontade de aceitar a si próprio e de repetir-se. Esta é a doutrina do eterno retorno: o mundo que aceita a si mesmo e que se repete. E a essa doutrina que Nietzsche retoma da Grécia e do Oriente, ele liga sua outra doutrina do amor fati: amar o necessário, aceitar este mundo e amá-lo. O amor fati é aceitação do eterno retorna e da vida, e ao mesmo tempo, anuncio do super-homem. O super-homem é o homem novo que, rompidas as antigas cadeias, cria um sentido novo da terra; é o homem que vai além do homem, o homem que ama a terra e cujos valores são a saúde, a vontade forte, o amor, a embriaguez dionisíaca. Este é o anuncio de (Nietzsche) Zaratustra.”

Segundo Storig, “Nietzsche foi um brilhante, ou melhor, um genial escritor e estilista, e também um psicólogo muito refinado, além de crítico e panfletista mordaz e, finalmente, uma personalidade fascinante – tudo isso torna difícil direcionar o olhar, através desses primeiros planos e máscaras, para o cerne de seu filosofar.“

Dentre suas principais obras, citamos:

A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos
Considerações Extemporâneas
Humano, Demasiadamente Humano
A Gaia Ciência
Assim falou Zaratustra
Além do Bem e do Mal
Genealogia do Mal	
O Crepúsculo dos Ídolos
O Anticristo
Ecce Homo
Bibliografia de referência:
STORIG, Hans Joachim – História Geral da Filosofia – Editora Vozes – 2008
REALE, Giovanni – ANTISERI, Dario – História da Filosofia – Volume 3 – Editora Paulus – 1990
O livro da Filosofia – Editora Globo – 2011