O que é filosofia?

corujaPara que possamos fugir da explicação habitual que decompõe a palavra por seus termos gregos – philos: amor fraterno e Sophia: sabedoria -, que no fundo nada explica, busquemos a conceituação do Nicolla Abbagnano em seu “Dicionário de Filosofia”.

Nele, encontramos como primeira referência, o comentário de Platão em Eutidemo: “é o uso do saber em proveito do homem”. Que saber é esse? Podemos dizer que é o saber sobre as coisas e principalmente sobre o próprio homem. É o próprio Platão que completa afirmando “de nada serviria possuir a capacidade de transformar pedras em ouro, a quem não soubesse utilizar o ouro; de nada serviria uma ciência que tornasse imortal a quem não soubesse utilizar a imortalidade.”

Um outro conceito, é que filosofia é a posse ou aquisição de um conhecimento que seja, ao mesmo tempo, o mais válido e o mais amplo possível. Em benefício do homem.

Dois termos se repetem então: o Saber, e o Homem. O Saber é conhecimento, que por sua vez é mais do que a simples informação; mas do que obter a informação, e preciso saber o que fazer com ela. Daí a similaridade com a palavra Sabor. O Saber é o saborear da informação; é o apreciá-la para com isso fazer algo mais. Quanto ao homem, desnecessário falar… é o agente da busca, o que se apropria dela e utiliza para a construção de outra coisa.

Podemos portanto sumarizar que a Filosofia é o questionamento, a busca, a procura das causas, e a partir da apreensão destes conceitos e experiências, poder instrumentalizar este “saber” para impactar sua vida e das pessoas ao seu redor. O filósofo não é o detentor da verdade, ele é de fato, aquele que a busca, questionando sempre os fatos e os conceitos apresentados.

Mas antes que possa ocorrer um erro de interpretação, filosofia não é simplesmente um mero acúmulo de informação, pois o eixo primordial dessa equação é o “questionar”. Marilena Chauí no seu livro “Convite à Filosofia” afirma que filosofar ou ter uma atitude filosófica poderia ser considerado como “a decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceita-los sem antes havê-los investigado e compreendido.”

Faz parte deste processo o questionamento sobre a origem do saber, e tradicionalmente o homem faz dois tipos de juízo a este respeito: a. a origem do saber é divina, tendo sido dado ou revelado ao homem (muito dos conceitos antigos e mais especificamente no oriente aceitavam esta origem); b. a origem do saber é humana, pois somente o homem pode produzir ou conquistar o conhecimento, tendo sido introduzida no pensamento ocidental a partir dos gregos, ligando-se a definição de filosofia como a entendemos nos dias atuais.

Há ainda discussões sobre o uso do saber, ou da filosofia, podendo este “uso” ter um caráter contemplativo, ou um caráter ativo. No primeiro caso, o uso contemplativo se limita ao próprio individuo constituindo-se uma forma de vida com um fim em si mesma, e no segundo caso, temos o indivíduo como agente, que utiliza este saber como instrumento de modificação do status quo, transcendendo o seu eu, e afetando a relação com o outro.

Por fim, podemos pensar a filosofia tendo em vista seus procedimentos ou métodos de obtenção do conhecimento, podendo ser “sintética ou criativa”, utilizando processos conceituais sem impor limites ou condições a esse trabalho de construção de idéias, ou “analíticas”, que reconhecem e utiliza a existência de dados para descrever os conceitos e analisá-los.
Lembre-se a filosofia não se propõe a solucionar os problemas, mas a levantá-los e abordá-los. Por isso o perguntar é mais importante do que o responder.

Bibliografia de referência:
ABBAGNANO, Nicola – Dicionário de Filosofia – Editora Martins Fontes – 2007