Pré Socráticos

Importante ressaltar, que por preconceito ou por simplificação, o mundo acadêmico atual considera o surgimento da filosofia como conhecemos como tendo ocorrida na Grécia, por volta do 6º e 5º século antes da era cristã. Dentro desta padronização, quando falamos de pensadores pré socráticos (aqueles que antecedem o pensador Sócrates), estamos nos referindo ao pensamento surgindo nos dois grandes centros de pensamento desta época: Na Jônia – Asia Menor, e na Magna Grécia (italía do Sul e Sicilia).

Embora seus pensamentos podem parecer primitivos, sua essência e base permanece até hoje na construção do pensamento humano, pois sua busca se refere àquilo que constitui o mundo.

Com o propósito de referência citamos uma série deles tentando citar sua ideia principal.

TALES DE MILETO (Jônio) – Foi filósofo, cientista e político destacado. Era considerado pelos gregos como sendo o primeiro dos “Sete Sábios” do mundo antigo. Considerava a “Água” como sendo o princípio de tudo. Não devemos entender esse termo como sendo a água que conhecemos, mas sim como a physis líquida da qual tudo deriva. A água como entendemos seria apenas uma de suas manifestações. “De acordo com a tradição antiga, interrogado qual seria a coisa mais difícil de todas, ele teria respondido: CONHECER A SI MESMO, e qual a mais fácil: DAR CONSELHO AOS OUTROS, o que seria Deus: AQUILO QUE NÃO TEM COMEÇO NEM FIM, e como se pode viver de maneira perfeita e virtuosa: NADA FAZENDO DO QUE CONDENAMOS NOS OUTROS.” (STORIG)

ANAXIMANDRO DE MILETO – provável discípulo de Tales, elaborou um tratado “Sobre a Natureza”, considerado como sendo o primeiro tratado filosófico do ocidente, escrito em grego e em prosa. “Com Anaximandro, a problemática do princípio se aprofundou: ele sustenta que a água já é algo derivado e que, ao contrário, o princípio (Arché) é o infinito, ou seja, uma natureza (physis) infinita e indefinida da qual provém todas as coisas que existem. O termo por ele utilizado é a-peiron, que significa, aquilo que é privado de limites (externos e internos). Esse princípio abarca e circunda, governa, e sustenta tudo.” (REALE & ANTISERI)

ANAXÍMENES DE MILETO – discípulo de Anaximandro, concorda que o princípio tem que ser infinito, mas que este deve ser pensado como sendo o Ar Infinito (substância aérea ilimitada), entendendo também como sendo a alma, e tendo um caráter divino. Propunha uma alternativa periódica de origem e destruição do mundo.

HERÁCLITO DE EFÉSO – Não quis participar da vida pública, sempre solitário e buscando caminhos próprios e inexplorados, ficou conhecido como sendo o OBSCURO. Percebendo o dinamismo universal, passa a considerá-lo como sendo o próprio princípio de tudo, que gera, sustente e reabsorve todas as coisas. Tudo se move, tudo está em mutação. Em seu famoso escrito “não se pode descer duas vezes o mesmo rio e não se pode tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado, pois, por sua causa da impetuosidade e da velocidade da mudança, ela se dispersa e se reúne, vem e vai…”

PITÁGORAS – originário de Samos, era matemático, astrônomo e filósofo. Por perceber e reconhecer a proporção e regularidade matemática em tudo o que existe, concebe com princípio de todas as coisas o número. Para ele o número não era a abstração mental que temos nos dias de hoje, mas uma coisa real, algo físico constituindo tudo.

XENÓFANES – nascido em Cólofon (Jônia), considerado como sendo o fundador da escola de Eleia, é um opositor aberto a concepção religiosa dos deuses trazidos por Homero e Hesíodo. Considera um erro e um absurdo o antropomorfismo, e a comparação de deuses com a figura humana. Para ele “O supremo e melhor só pode ser um. Este Deus único é onipresente, não podendo, nem na figura, nem no comportamento, comparar-se aos mortais.” Deus é idêntico à unidade do universo.

PARMÊNIDES – nascido em Eleia, e provável discípulo de Xenófanes, foi um político ativo, e sua obra em forma de poema ressalta o verdadeiro saber. Para ele tudo é uno e indivisível. Sobre sua obra e pensamentos, Storig diz “Ele escreve um poema didático onde descreve sua viagem do reino da noite, a uma deusa no país da luz (da verdade). Por um lado, verdade e conhecimento se contrapõem, aparências e mera opinião por outro. O verdadeiro saber é alcançado pelo puro conhecimento da razão. Mas este ensina que só pode existir um ser, mas não um não-ser. Só o ser é, o não-ser não é nem pode ser pensado. Por SER entende-se aqui o que ocupa espaço, portanto nega-se a possibilidade de um espaço vazio. Admitir um movimento pressupõe sempre um não-ser, pois para que um corpo possa mover-se a um determinado lugar é preciso que antes tenha existido ai um espaço vazio, por conseguinte, nada. Dá-se o mesmo com a suposição de uma evolução, de um devir – pois se alguma coisa deve “vir-a-ser”, antes ela ainda não é. Daí sua ousada conclusão de que na realidade não pode existir nem devir, nem movimento, mas somente o ser que permanece imutável. Como o Ser tudo preenche, também não existe um pensamento que se oponha ao ser. Pelo Contrário, o Pensamento e o Ser são uma só coisa. Os sentidos, ao nos apresentarem um mundo de constante devir e perecer, e de constante movimento, nos enganam; eles são a fonte de todo erro.”

ZENÃO DE ELEIA – discípulo de Parmênides, foi seu principal defensor. Refutou todas as criticas e tentativas de se lançar Parmênides ao ridículo. Nessa tentativa, desenvolveu uma lógica, uma forma de raciocínio tão sutil que pode ser considerado como sendo o fundador da dialética. Seus mais famosos exemplos de defesa do pensamento de Parmênides, são conhecidos como “a corrida entre Aquiles e a Tartaruga”, e “a flecha lançada”.

EMPÉDOCLES – nascido em Agrigento na Sicília, de personalidade forte, foi estadista, profeta, médico, taumaturgo e filósofo. Da mesma forma que para Parmênides, o “nascer” e o “perecer”, entendidos como um vir do nada e um ir ao nada, são impossíveis porque o Ser É, e o Não-Ser não É, assim os que os homens chamam por este nome (nascimento e morte), são a mistura e a dissolução de algumas substâncias que permanecem eternamente iguais e indestrutíveis. Tais substâncias são a água, o ar, a terra e o fogo, que Empédocles chamou de “raízes de todas as coisas”. (REALE & ANTISERI)

ANAXÁGORAS DE CLAZÔMENAS – nascido na Asia Menor, viveu por três décadas em Atenas. Admite uma quantidade ilimitada de matérias primas, diferente em sua qualidade, uma da outra. A isso ele chama de “sementes ou germes” das coisas (spérmata). Introduz um princípio filosófico abstrato (o nous), um principio pensante, racional, onipotente e impessoal.

LEUCIPO E DEMÓCRITO – Leucipo, nascido em Mileto, fundou uma escola em Abdera, tendo seu discípulo Demócrito (nascido em Abdera) elevado a mesma ao seu mais alto nível. Chamados de atomistas, reafirmavam a impossibilidade do não-ser. O nascer nada mais é do que um agregar de coisas que já existem, enquanto que a morte é a desagregação destas mesmas coisas. Estas coisas nada mais é do que infinito número de corpos invisíveis pela pequenez e pelo volume. Tais corpos são chamados de átomos (em grego, não visíveis) e por sua natureza são indivisíveis, indestrutíveis, imutáveis e incriados.

Bibliografia de referência:
STORIG, Hans Joachim – História Geral da Filosofia – Editora Vozes – 2008
REALE, Giovanni – ANTISERI, Dario – História da Filosofia – Volume 1 – Editora Paulus – 1990