Razão e Fé são compatíveis?

Diante dessa questão, a primeira resposta que nos vem à mente é não. Decididamente não são compatíveis. Mas será que realmente não são compatíveis?

Vamos analisar atentamente sem os pré-conceitos e ao final teremos talvez uma resposta diferente ou não. Quando lemos fé automaticamente nossa mente nos leva para dentro de templos religiosos, com seus dogmas, rituais e liturgias próprias. Já imaginamos que a fé religiosa leva ao condicionamento do ser humano com o discurso de castigo ou gozo eterno. O que em alguns segmentos ainda é um dogma inquestionável. Ou já pensamos em quantas guerras ocorreram e ocorrem em nome da fé religiosa. Pela imposição de valores de um grupo em detrimento de outro.

Se pararmos aqui, teremos sim confirmada nossa resposta primeira, razão e fé são incompatíveis. Pois para os leigos do movimento religioso os dogmas sendo inquestionáveis e base de uma doutrina religiosa não tem um sentido racional. Agora quando lemos razão, a palavra nos remete para o mundo da ciência, dos pensadores, que pré-concebemos como ateus, homens de pouca ou nenhuma fé. Colocamos um abismo entre razão e fé.

Obvio que alguns religiosos desprezam o pensamento puramente racional que poderia questionar seus dogmas. Mas também temos os racionais que menosprezam a fé religiosa. Percebemos assim o grande impasse que se forma. A filosofia fica entre esses dois conceitos, buscando um possível acordo.

Quando Sócrates coloca o homem como objeto de conhecimento usa do pensamento racional para corroborar seu intento. Mas não deixa de fazer suas oferendas aos deuses de sua crença. Interessante não?

Dois grandes filósofos ocidentais foram Santo Agostinho e Tomas de Aquino, ambos ligados à igreja católica, não negaram o uso da razão, embora tenham subordinado a mesma à fé. Tomás de Aquino comprova a existência de Deus de forma racional, ou seja, segundo sua filosofia se chega a Deus pela Razão. (para saber mais sobre as cinco provas da existência de Deus, acesse em nosso site a seguinte aba: filosofia/história-filósofos/medieval/Tomás de Aquino).

Outros filósofos negaram e “mataram” Deus e tudo que a fé representa, mas tinham fé no homem e em seu potencial. E assim vamos de um ponto ao outro, andando entre dois conceitos que aparentemente são incompatíveis. O ser humano tem desde seus primórdios um senso de algo além, em todos os povos, a mitologia, enquanto a primeira forma do homem explicar o mundo e a vida. Até onde essa percepção tem um fundamento? Nos parece que esse tema precisa ser melhor esmiuçado.

Quando as explicações mitológicas não satisfazem mais alguns homens, surge a filosofia e sua filha a ciência, buscando de forma racional o princípio da vida. Vejam que o tema não é novo.

E estamos aqui nesse texto retomando o tema: Razão e fé. Abrindo um novo antigo debate. Onde o homem racionalmente irá discutir sua fé, ora religiosa ora no ser humano. Onde se irá discutir a razão, que convenhamos que tem um papel fundamental em nossas vidas.

É possível ter fé raciocinada? É possível crer e comprovar racionalmente minha crença? A razão basta? Ou a razão é uma fé em algo além da religiosidade?

Razão e fé são compatíveis? Talvez agora nossa resposta não seja imediatamente não, talvez agora tenhamos que pensar antes de responder.

Carmen Ruiz